A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver reuniu, nesta terça-feira (25), milhares de mulheres negras, trabalhadoras urbanas e rurais, lideranças comunitárias, movimentos sindicais e organizações feministas no centro de Brasília. A mobilização, construída nacionalmente, afirma a luta histórica por reparação, justiça racial, autonomia e condições dignas de vida para as mulheres negras, que seguem sendo as mais afetadas pelas desigualdades estruturais do país.
Representando o Sindicato dos/as Servidores/as Públicos Municipais de Quixadá, Ibaretama, Banabuiú, Choró e Ibicuitinga (Sindsep), estiveram presentes a presidenta Izaltina Gonzaga, a secretária de Assuntos Jurídicos Neiva Esteves e a secretária da Mulher Trabalhadora, Graça Costa. As dirigentes acompanharam a marcha ao lado de outras entidades do serviço público, que denunciaram as múltiplas formas de violência que atingem servidoras em seus locais de trabalho, incluindo assédio, sobrecarga, falta de estruturas de acolhimento e pressão decorrente das reformas que precarizam o serviço público.
Para a presidenta Izaltina Gonzaga, a mobilização é fundamental para ampliar a voz das mulheres trabalhadoras e denunciar a violência que atravessa a vida e o trabalho. “Marchamos porque somos resistência, porque nenhuma violência pode ser naturalizada. As servidoras precisam de políticas de proteção, ambientes de trabalho seguros e condições dignas para exercer suas funções. Estamos aqui para dizer que nossa vida e nossos direitos importam.”
A secretária da Mulher Trabalhadora, Graça Costa, destacou que a violência contra as mulheres é atravessada pelo racismo, pela desigualdade social e pela precarização das políticas públicas. “Quando o Estado retira recursos das áreas sociais, quem sente primeiro e mais profundamente são as mulheres, especialmente as mulheres negras. Nossa luta é por políticas efetivas, investimentos e garantia real de proteção. Não há combate à violência sem enfrentar as desigualdades estruturais.”
Ao longo do percurso, mulheres negras, indígenas, urbanas e rurais reforçaram a centralidade do combate ao racismo estrutural como eixo para eliminar as violências de gênero. A marcha também cobrou do governo federal a ampliação de investimentos em equipamentos como Casas da Mulher Brasileira, delegacias especializadas e programas de apoio a mulheres em situação de violência, além da proteção às mulheres trans e travestis.








