Sindicalizados ganham 55% a mais do que não associados, aponta DIEESE

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Um levantamento do DIEESE, com base na Pnad Contínua/IBGE, indica que trabalhadoras e trabalhadores associados a sindicatos tiveram rendimento médio 55% superior ao de não associados no Brasil, em 2024. A diferença aparece no total dos ocupados: R$2.963 entre não associados e R$4.590 entre associados. O dado ganha ainda mais relevância para o setor público. No grupamento “Administração pública, defesa e seguridade social”, o rendimento médio dos associados chega a R$8.264, contra R$4.901 dos não associados, um diferencial de 69%, o maior entre os segmentos analisados.

Sindicalização volta a crescer e o serviço público aparece entre os maiores índices

Além da diferença de renda, o boletim destaca que, em 2024, a taxa de sindicalização dos ocupados no Brasil foi de 8,9%, com crescimento em relação a 2023 (8,4%). Segundo o DIEESE, foi a primeira alta desde 2012, quando o indicador passou a ser coletado pela Pnad Contínua.

Quando o recorte é por atividade, os maiores percentuais estão em áreas diretamente ligadas ao cotidiano do serviço público e das políticas sociais: educação/saúde/serviços sociais (15,6%) e administração pública/defesa/seguridade (15,2%).

No caso do funcionalismo municipal, esse efeito aparece de forma mais evidente no próprio recorte do DIEESE. O setor público é o que registra o maior diferencial de rendimento entre associados e não associados.

Para o SINDSEP, os dados reforçam um ponto central da luta cotidiana: direitos não caem do céu e valorização não é concessão. Em contexto de restrições orçamentárias, pressões por terceirização, contratos precários e tentativas recorrentes de “enxugar” o serviço público, a filiação e a participação nas instâncias do sindicato funcionam como:

  • proteção coletiva (unidade para enfrentar retrocessos);
  • capacidade de negociação (pauta, calendário, pressão e proposta);
  • fiscalização permanente (cumprimento de lei, carreira, pagamento, condições de trabalho);
  • força política para ampliar conquistas em benefício de toda a categoria.

“Quando a gente se organiza, a gente muda a correlação de forças. Esse dado do DIEESE mostra o que a categoria já sabe na prática que a valorização vem da luta coletiva, da unidade. Sindicato é ferramenta de defesa e de conquista, e cada filiação fortalece a capacidade de proteger direitos, cobrar respeito e avançar em carreira, salário e condições de trabalho”, destacou Izaltina Gonzaga.

 

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