Por Rafael Mesquita
A presença sindical continua sendo um fator determinante para a renda e as condições de trabalho no Brasil.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, em 2024, 8,9% dos trabalhadores ocupados estavam sindicalizados, o equivalente a cerca de 9,1 milhões de pessoas .
Embora ainda abaixo dos níveis históricos – em 2012, a taxa era de 16,1% –, o dado interrompe uma sequência de queda e indica retomada da organização coletiva no país .
Serviço público concentra maior organização
A presença sindical é significativamente maior no setor público.
Entre servidoras e servidores, a taxa de sindicalização chega a 18,9%, mais que o dobro da média nacional, segundo o IBGE .
Esse padrão também se repete internacionalmente.
Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico indicam que, nos países membros, a taxa média de sindicalização no setor público gira em torno de 38%, enquanto no setor privado fica próxima de 12% .
A diferença reflete vínculos mais estáveis e maior tradição de organização coletiva entre servidores.
Relação direta com renda e desigualdade
A influência dos sindicatos aparece de forma concreta na renda.
Estudos sistematizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que trabalhadores sindicalizados tendem a obter melhores resultados em negociações coletivas, especialmente em períodos de inflação ou disputa salarial.
O Dieese aponta que trabalhadores organizados podem ter ganhos salariais significativamente superiores. Em alguns casos, até mais de 50% acima da média de trabalhadores não sindicalizados. O setor público (administração pública, defesa e seguridade social) é o que apresentou a maior diferença: 69%.
Queda e retomada da sindicalização
Apesar da importância, a sindicalização no Brasil sofreu queda significativa nas últimas décadas.
A taxa caiu de 16,1% em 2012 para 8,4% em 2023, o menor nível da série histórica, antes de voltar a crescer em 2024 .
O movimento está associado a mudanças no mercado de trabalho, como aumento da informalidade, terceirização e novas formas de contratação.
No serviço público, disputa é permanente
No caso das servidoras e dos servidores públicos, a organização sindical assume papel ainda mais estratégico.
Como a negociação ocorre diretamente com o Estado, temas como salário, carreira e condições de trabalho dependem de decisões políticas e orçamentárias.
Para Neiva Esteves, diretora da Secretaria de Políticas Sociais do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Quixadá, Ibaretama, Banabuiú, Choró e Ibicuitinga (SINDSEP), os dados refletem uma realidade vivida no cotidiano das categorias.
Segundo ela, a diferença entre categorias organizadas e desorganizadas aparece de forma concreta nas conquistas.
“Os números mostram o que a gente já sente na prática. Onde tem sindicato forte, tem mais proteção, mais salário e mais direitos. Onde não tem organização, o trabalhador fica mais vulnerável e perde capacidade de negociação”, afirma.
Uma disputa que segue atual
Mesmo com a retomada recente, os dados indicam que a organização sindical ainda enfrenta desafios no país.
Ao mesmo tempo, reforçam um ponto central: a presença coletiva segue sendo um dos principais fatores que influenciam a renda e a redução das desigualdades no mundo do trabalho.










