Em 4 de outubro, os cearenses vão escolher os 22 deputados federais que representarão o Estado na Câmara. Antes de votar, é hora de conhecer a atuação de quem já ocupa uma cadeira e pesquisar o histórico e as propostas de quem disputa o mandato

Você lembra em quem votou para deputado federal nas últimas eleições? E mais: sabe o que esse parlamentar fez desde que assumiu o mandato? Como votou em projetos que afetam trabalhadores e trabalhadoras? Como se posicionou diante de propostas que atingem os servidores públicos? Participou das discussões sobre orçamento, previdência, direitos trabalhistas e serviços públicos?
Essas são perguntas importantes para quem vai às urnas no dia 4 de outubro escolher os representantes do Ceará na Câmara dos Deputados. A data corresponde ao primeiro turno das Eleições 2026.
Neste ano, 22 vagas de deputado federal estão em disputa no Ceará. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 274 candidatos buscam uma cadeira na Câmara. Entre os atuais parlamentares, 19 dos 22 deputados federais cearenses tentam a reeleição.
Para boa parte dos eleitores, a escolha deste ano também será uma oportunidade de avaliar quem já exerceu o mandato e decidir, com base em informações, se pretende ou não reconduzir aquele parlamentar à Câmara.
Para a presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Quixadá, Ibaretama, Banabuiú, Choró e Ibicuitinga (Sindsep), Izaltina Gonzaga, é importante que os servidores públicos e a sociedade em geral acompanhem o processo eleitoral e conheçam a atuação dos candidatos.
“Os trabalhadores e as trabalhadoras precisam olhar para essa eleição com atenção. Quem ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados participa de decisões que podem afetar diretamente nossos direitos, nossos salários, nossas aposentadorias e os serviços públicos. Por isso, é fundamental conhecer o histórico e as posições de cada candidato antes de escolher o voto.”
Mas, afinal, o que faz um deputado federal?
O deputado federal é um representante da população no Congresso Nacional. Entre suas principais atribuições estão legislar, fiscalizar o Poder Executivo e participar das decisões sobre o Orçamento da União.
Na prática, os deputados podem apresentar, discutir, alterar e votar projetos de lei, além de analisar propostas encaminhadas pelo governo e outras matérias que passam pela Câmara.
Também cabe aos parlamentares fiscalizar as ações do Poder Executivo e a utilização dos recursos públicos. Eles podem solicitar informações a órgãos públicos, convocar autoridades para prestar esclarecimentos e participar de Comissões Parlamentares de Inquérito, entre outros instrumentos de fiscalização.
Outro papel importante está na discussão e votação do Orçamento da União. Nesse processo, os parlamentares analisam a destinação dos recursos públicos e podem apresentar emendas para indicar investimentos e ações em estados e municípios.
Por isso, o trabalho de um deputado federal vai muito além da campanha eleitoral ou da presença em inaugurações e redes sociais. As decisões tomadas na Câmara podem ter impacto direto sobre a vida da população e sobre áreas como saúde, educação, previdência, trabalho e serviços públicos.
19 dos atuais deputados do Ceará tentam continuar no cargo
Dos 22 deputados federais que atualmente representam o Ceará, 19 disputam novamente uma vaga na Câmara. A taxa de recandidatura no Estado é de 86,36%.
Três parlamentares da atual bancada não concorrem novamente à Câmara. Luizianne Lins disputa uma vaga ao Senado; Júnior Mano concorre como primeiro suplente na chapa de Cid Gomes ao Senado; e Eunício Oliveira não disputa nenhum cargo nas eleições deste ano.
Isso significa que, independentemente dos resultados de outubro, a bancada cearense terá pelo menos três novos nomes na Câmara a partir de 2027.

Mas o que explica a permanência de grande parte dos atuais deputados na disputa? Para a professora universitária e cientista política Carla Michele Quaresma, a alta taxa de recandidatura precisa ser analisada também a partir da relação entre renovação de nomes e continuidade de projetos políticos.
“A democracia pressupõe essa oxigenação do poder, a renovação dos mandatos. E, embora em muitos momentos as taxas de renovação parlamentar no Brasil sejam positivas, quando nós olhamos esses números de mais perto, observamos que a alternância ocorre do ponto de vista dos indivíduos que estão nos mandatos, mas ela não ocorre do ponto de vista das ideias, dos programas, porque há essa transmissão de poder, essa transferência de capital político e de capital simbólico, muitas vezes do pai para o filho, do esposo para a esposa. Isso faz com que, embora haja alternância de pessoas, as ideias, os projetos e as propostas tenham essa continuidade.”, pontuou a especialista.
Segundo Carla, esse processo pode dificultar uma renovação mais ampla da representação política, especialmente diante das mudanças sociais que demandam novas perspectivas e bandeiras.
“Isso gera, obviamente, uma dificuldade do ponto de vista dessa necessidade de renovação, que é um princípio do regime democrático. E, claro, as mudanças sociais impõem também que outras pessoas, com outras bandeiras e outras perspectivas, ocupem esses espaços de poder.”, complementou.
A cientista política também aponta a influência das relações construídas entre parlamentares e lideranças políticas municipais como um dos fatores que ajudam a compreender a permanência de determinados nomes nos mandatos.
“No caso específico das assembleias legislativas, nós observamos que há essa permanência, sobretudo devido ao controle de redutos. São deputados que mantêm uma relação muito próxima com lideranças políticas municipais, inclusive garantindo para essas lideranças benefícios do ponto de vista financeiro, da destinação de recursos. Isso faz com que haja essa dependência e facilita a permanência desses indivíduos nos seus mandatos.”, afirmou Carla Michele.
Para ela, essa relação de proximidade também influencia a dinâmica de manutenção dos mandatos.
“Portanto, essa relação de proximidade muito grande, muitas vezes até desvirtuando princípios democráticos, gera essa relação que faz com que esses indivíduos permaneçam nos seus mandatos.”, disse.
Para os servidores públicos e a sociedade em geral, acompanhar essa disputa também significa observar quem pretende ocupar um espaço de poder onde são tomadas decisões que podem afetar diretamente direitos, salários, aposentadorias, condições de trabalho, políticas públicas e a aplicação dos recursos públicos.
E como escolher?
Se a permanência de grande parte dos atuais parlamentares chama atenção, outro ponto importante é a capacidade do eleitor de conhecer quem está disputando uma vaga e, posteriormente, acompanhar o mandato escolhido nas urnas.
Muitas vezes, o eleitor não se lembra em quem votou nas últimas eleições ou conhece pouco sobre a atuação dos candidatos e dos parlamentares que já estão no cargo. Para Carla Michele Quaresma, a influência das lideranças políticas locais é um dos fatores que podem contribuir para esse distanciamento entre eleitor e candidato.
“Como é essa influência muito grande das lideranças municipais na decisão do eleitor, muitas vezes esses eleitores nem sabem quem são os candidatos, em quem estão votando, seja deputado estadual, deputada federal ou senador da República, porque isso se dá através dessa influência exercida pelas lideranças políticas municipais.”, comentou.
Nesse cenário, segundo a cientista política, o desconhecimento sobre candidatos e propostas também dificulta o acompanhamento dos mandatos depois das eleições.
“Então, as pessoas realmente desconhecem quem são os candidatos, o que eles defendem, quais são as suas propostas. E isso dificulta muito esse controle social, que é imprescindível numa democracia. Um regime democrático funciona relativamente bem exatamente onde existe muito controle social sobre os mandatos.”, disse a especialista.
Por isso, ela destaca a importância de o eleitor buscar informações antes de definir seu voto e acompanhar a atuação do parlamentar depois da eleição.
“É imprescindível que o amadurecimento da democracia traga também essa consciência do eleitor de que ele precisa escolher um candidato que, de fato, se aproxime do ideal de representatividade, portanto, um candidato que defenda projetos e propostas condizentes com seus anseios.”, enfatizou a professora.
Para Carla, a participação do cidadão não deve terminar no momento em que o voto é depositado na urna.
“E, obviamente, o trabalho começa no momento da escolha. Depois, é necessário fazer o acompanhamento desses mandatos, e hoje isso pode ser feito de forma extremamente cômoda.”, conclui a cientista política.
Com centenas de candidaturas, o voto para deputado federal exige pesquisa. Não basta lembrar o nome ou o número apresentado durante a campanha. Antes de decidir, o eleitor pode buscar informações sobre:
- O que o candidato defende?
- Como votou em projetos importantes durante o mandato, no caso de quem já ocupa uma cadeira?
- Quais posições assumiu sobre direitos trabalhistas e servidores públicos?
- Como se posicionou sobre previdência, orçamento e serviços públicos?
- Quais propostas apresenta para o próximo mandato?
- Quem são os partidos e as federações que sustentam sua candidatura?
A Câmara dos Deputados disponibiliza informações sobre a atuação parlamentar, incluindo propostas apresentadas, votações, presença e participação em comissões. Já o Tribunal Superior Eleitoral reúne os dados oficiais das candidaturas.
Seu voto não termina na urna
Para o Sindsep, participar das eleições também significa exercer o direito de escolher quem estará nos espaços onde são tomadas decisões que afetam a vida dos trabalhadores e de toda a população. Por isso, a pergunta vale ser feita antes de outubro: você lembra em quem votou para deputado federal na última eleição? Se lembra, procure saber como esse parlamentar atuou. Se não lembra, este é o momento de pesquisar.
Conheça os candidatos. Confira o histórico de quem busca a reeleição. Compare propostas e acompanhe os posicionamentos. No dia 4 de outubro, o voto de cada cidadão ajudará a definir quem ocupará as 22 cadeiras destinadas ao Ceará na Câmara dos Deputados pelos próximos quatro anos.








